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CAPÍTULO 25

Lagoa Dourada – Brasil – 2003

                    Após pernoitar em Lafaiete, no pequeno hotel Rio-Minas, na beira da BR 040, efetuei um trajeto que julgo heróico. A Estrada Real neste trexo se perde em vários entroncamentos. Optei por seguir a original estrada que passa próximo a Queluzita indo dar em Prados. O caminho é repleto de caxorros de todos os tamanhos e raças. Mas realmente nenhum apresentou perigo a viagem. Posso até mesmo classificá-los. Existe no interior de Minas o caxorro ponto de referencia. È aquele que vc pode indicar ao explicar um caminho, pois com certeza ele vai estar lá, no mesmo lugar, daqui a alguns anos, tamanha a preguiça desses verdadeiros cães mineiros. Eles ficam estatelados pela estrada e nenhum veiculo é capaz de move-los, obrigando desvios perigosos. Existe o caxoro “Se eu pegar o q q eu faço?” , q são aqueles q correm atrás de tudo, seja carro ou cavalo, mas que é só parar e eles ficam olhando pra nossa cara com cara de caxoro idiota. E existe vários outros mas q no momento não estou afim de citar. Não sei se vcs notaram mas eu até estou pegando gosto pela coisa. È. Essa coisa de escrever. Realmente mata o tempo. E sinto q estou até melhorando minha caligrafia.

                    Um parágrafo. Considere isso uma cortesia por me dar tanta atenção. Mas q é um desperdício lá isso é.

                    Devo estar doente. Pra q tanto parágrafo? Deve ser falta de assunto. Bem voltando a viagem, q é o q interessa. Passei por Maracujá e me perdi completamente, se bem q essa expressão requer analise. Como posso estar meio pedido e quando estou completamente perdido? O meio perdido pode se meio axar? E o completamente perdido pode se encontrar novamente, já q completamente parece definitivo? Alem de minha caligrafia, vejam os senhores, estou melhorando meus argumentos e minha capacidade de raciocino. São questões profundas q devem ser esclarecidas para o bem da humanidade. Quando a estrada se torna uma perdição em nossas vidas? Quando perdemos o caminho, onde estamos? Só se perde aquele q segue um caminho?

                    Ah! Enganei vc pobre leitor dessa besteira danada. Até mudei de pagina rápido para vc não perceber q eu estava fazendo hora com sua cara. Viu. Vc está sempre sujeito a esse tipo de coisa. O cara escreve uma asneira tremenda e vc é obrigado a ler. Vc foi obrigado. Foi sim. Seus olhinhos seguiam as letras uma a uma formando palavras e frases diante dos seus olhos. Depois seu cérebro juntou tudo e procurou sentido e quando não encontrou sentido nenhum nessa porcaria de parágrafo anterior, ele deve ter entrado em pânico. Vc pensou q havia entrado num daqueles livros de auto-ajuda. Pois é. Fique sabendo q acabei de escrever essa perola do besteirol debaixo de um pé de Jaca, aliviando o intestino, enquanto penso qual estrada eu devo seguir a da esquerda ou a da direita.

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                    Reencontrei o caminho e a vontade de relatar, com seriedade, minha aventura. Desculpe o mau jeito anterior, mas é q o homem perdido faz coisas. Escolhi o caminho da esquerda q me levou a um vilarejo chamado Cafundó. Realmente para bem da verdade declaro q cafundó existe e eu estive lá. Só faltou ser Cafundó do Judas. È um lugar em q se fala sempre mas nunca conheci ninguém q tivesse conhecido o local ou mesmo sua localização. Seria cafundó uma cidade perdida? Ah! Não! Essa história de perdição de novo não. Vou até mudar de parágrafo.

                    Não consegui localizar o caminho q me levaria direto a Prados e fui obrigado a retomar o asfalto um pouco antes de Lagoa Dourada. Realmente essa Estrada Real é muito mal sinalizada, para não dizer completamente não sinalizada. E ouvi dizer q se gastou não sei quantos milhões de dólares em investimentos na Estrada Real só neste ano. Bom. Deixa isso pra lá q isso aqui não é livro denúncia. Isso afinal de contas é o livro do Francisco Viana q pretende contar a estória do tal Burton. Não quero atrapalhar a já confusa falta de ordem desse livro maluco. Eu nunca sei em q épocas estamos. Para q ficar mudando de época. Uma hora ta em 1867, depois volta para 1842, depois vai para 1886, depois volta, vai, volta. Eu vô acabar vomitando igual a Sra. Burton.

                    Eu tô meio enjoado tbm porque tomei sete copos de caldo de cana e comi três rocamboles logo na entrada da cidade. Depois lembrei q caldo de cana em excesso é igual pinga. Deixa a gente meio zoado. Lagoa Dourada é como tantas outras uma cidade com uma praça e uma igreja matriz. Desculpe o modo brusco com q descrevo essas cidades, mas no fundo no fundo é isso mesmo. E não sô só eu q axo. Tive a oportunidade de ver umas anotações de Francisco ainda em Sabará e nelas ele contava q o tal Burton tinha verdadeiro desprezo pela nossa arquitetura. Xegou a xamar nossas igrejas de galpões sem graça e pobres de decoração. Xamou o Aleijadinho de “aquele maneta q está por toda parte”. Eu particularmente axo maneta mais simpático do q Aleijadinho. Aleijadinho é meio preconceituoso. Mas não vou mais ocupar espaço nesse livro.Alias esse capitulo era inteiramente desnecessário. Eu tô ficando contaminado com essas palavras grandes terminadas em mente. Minha mente é q ta meio atrapalhada. Nunca mais tomo caldo de cana com rocambole. Que digo de passagem, realmente, é o melhor rocambole q já comi. Ta certo q foi a primeira vez q comi rocambole, mas fica aqui minha opinião registrada.

                    Ah! Antes q eu me esqueça Francisco já passou por aqui. Deixou uma anotação no livro de registro do Hotel em q ficamos hospedados. È! Abandonamos completamente a barraca. Ta xeia de pousada baratinha pelo caminho. Dá até pena dos donos. Dormida e café da manhã por R$10,00 e até R$5,00. Mas voltando ao Francisco. Ele deve ter tomado mais caldo de cana do q eu. Ele escreveu uns troços sem sentido no livro de registro do hotel. Disse q axou um colarzim com uma pedra cinza pendurada nele e q é o colar do tal Rixard Burton. O Francisco pirou de vez. Só faltava essa agora.

                    Eu tô tentando subir no cavalo e seguir para Tiradentes mas tem dois caras de camisa branca e gravata preta com craxás pretos aonde parece q ta escrito Igreja alguma coisa dos últimos dias de alguém q não consegui ler direito. Eu tô com muito sono, to dormindo acordado. Eu aviso pela ultima vez: O Ministério da saúde informa: Beber caldo de cana demais faz mal pra saúde.

                    - Sai fora cês dois! Eu num quero comprar nada não!

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